Great Resignation. O fenômeno mundial: “Eu me demito” chega no Brasil!

O novo contexto vivenciado por profissionais, com a consolidação do trabalho home office ou mesmo o retorno ao local de trabalho com equipes reduzidas e nova composição organizacional, tem causado impactos prejudiciais na eficiência da produtividade, criatividade e fluxo de informações, sendo hoje pouco mapeados e priorizados na maioria das organizações.

Alguns sentimentos se tornam inevitáveis ao corpo funcional, tais como: ansiedade, tristeza, medo e insegurança, consolidando a saúde mental como fundamental para a performance e sucesso dos times.

Estudos indicam que parte dos transtornos mentais (depressão, ansiedade, crise de pânico, burnout) se originam no ambiente do trabalho, já que vivemos em um mercado competitivo, exigindo cada vez mais do profissional e, apesar de tudo que vivenciamos nos últimos anos, a não priorização do Capital Humano, parece não ter sido reavaliada como prioridade por parte das empresas no Brasil e no mundo.

Destaco o fenômeno mundial do “eu me demito” que tem repercutido no mundo e chegado no Brasil, camuflados por uma fila de 13 milhões de desempregados, brasileiros pedem demissão em ritmo recorde: meio milhão por mês.

Pedir demissão no meio de uma crise econômica e sanitária parece aquele tipo de luxo reservado a trabalhadores ricos de países desenvolvidos. Todo mês, mais de 4 milhões de americanos passaram a deixam seus empregos voluntariamente, num fenômeno que ganhou nome próprio: Great Resignation (“grande resignação”).

Na Universidade do Arizona pesquisas mostraram que 8 em cada 10 pessoas que não estão contentes no trabalho, simulam satisfação diante de seus colegas, e isso é extremamente desgastante e inapropriado. Algumas pessoas são pessimistas de carteirinha, sabemos que o contágio emocional é algo que influencia muito os ambientes organizacionais.

Os transtornos mentais estão entre os três principais motivos de absenteísmo (indicador usado para medir a soma de ausências dos colaboradores durante o expediente de trabalho) no mundo. E estima-se que muito em breve, este fator seja o primeiro em causa de afastamento.

Os custos de afastamento são altíssimos para a empresa, pois além dos custos de plano de saúde, a empresa precisa investir em substituição de mão de obra e custo em capacitação dessa substituição. Em casos leves, um funcionário afastado custa em média para a empresa quatro dias de trabalho, em casos mais graves o custo pode chegar a 200 dias de trabalho.

O aprofundamento na busca das causas raízes e dos chamados “gatilhos emocionais”, apesar de não ser algo fácil, pode se tornar uma excelente estratégia para manter a saúde mental e segurança psicológica dos colaboradores, líderes e dirigentes das organizações.

Quando falamos sobre gatilho emocional, nos referimos a uma resposta mental (gatilho específica), que envolve emoções, pensamentos e comportamentos mais específicos, conectados principalmente a experiências passadas ou vivências laborais que vem sendo vivenciada pelos colaboradores.

Os gatilhos emocionais podem ser tanto negativos quanto positivos, mas necessariamente remetem a momentos que já aconteceram, no sentido de “reviver” aquilo.

De forma geral, os Gatilhos Emocionais (GE) são quaisquer situações ou vivencias do indivíduo que aciona cadeias de memórias ruins e têm poder para mudar o estado de humor, desencadear sintomas físicos e interferir na forma como se toma decisões e no comportamento social. É uma situação que precipita sentimentos e sensações desagradáveis para alguém, afetando aspectos que podem ser muito sensíveis ao indivíduo, como baixa autoestima ou sentimentos de angústia”, explica o psiquiatra.

Apesar do termo ter se popularizado na internet como um meme, um gatilho pode desencadear sentimentos intensos e, muitas vezes, preocupantes no emocional de uma pessoa. Alguns sinais que demonstram o impacto gerado por um gatilho são:


  • Raiva

  • Perda de controle

  • Crises de ansiedade ou pânico

  • Medo ou desespero

  • Culpa

  • Sentimento de julgamento ou inferioridade ou julgamento

  • Tristeza

  • Baixa autoestima

  • “Flashbacks” de situações passadas

  • Sensação de vazio interno

  • Estresse

  • problemas de autoestima.


As empresas e gestores de Capital Humano podem e devem dispertar para tal problemática, planejar e executar planos de ação para minimizar ou construir um ambiente organizacional saudável, aplicando algumas das estratégias que se seguem:


  • Evitar que se crie um ambiente tóxico;

  • Criar uma cultura saudável no trabalho;

  • Debater mais abertamente sobre o tema;

  • Invista na saúde física e mental do trabalhador.

  • Busque as causas raízes, KPI e planos de ação voltados a saúde mental dos colaboradores e seu clima organizacional;

  • Invista na gestão de gente;

  • Inclua objetivos em seu planejamento estratégico a segurança psicológica do seu capital humano;


E os trabalhadores, como cuidar da saúde mental?


  • Identifique seus gatilhos emocionais negativos e suas origens;

  • Perguntar a si mesmo por que o gatilho está sendo acionado, de forma que se possa neutralizar a fonte. (Alerta de gatilhos);

  • Não seja duro com si mesmo;

  • Conheça seus gatilhos positivos e utilize-os;

  • Busque o autocuidado;

  • Afaste-se da pessoa ou situação que provocou o gatilho;

  • Concentre-se na respiração; Respirar corretamente melhora a concentração, memória e o raciocínio lógico;

  • Organize seu local de trabalho. Isso ajuda a manter o foco;

  • Faça pequenas pausas ao longo do dia e respire.

  • Evite fofocas no ambiente de trabalho;

  • Valorize os colegas e aja de forma empática;

  • Mantenha seu bom humor sempre que possível;

  • Busque autoconhecimento, amplie seus horizontes e evolução para sua maturidade pessoal;

  • Nutra-se com relações positivas;

  • Alimente-se bem e pratique exercícios físicos.

  • Sendo necessário, procure ajuda de um profissional especializado.


Faz-se necessário ainda orientações extras para o colaborador, caso sua atual empresa não tenha tal preocupação:


  • Converse com seu supervisor;

  • Veja a possibilidade de mudar de função e/ou setor;

  • Busque outro emprego;

  • Faça uma reserva financeira e se for o caso, peça demissão!


Nossa saúde mental não tem preço e para produzir e termos o nosso sustento, precisamos estar bem!

Quando o modelo de vida leva a um esgotamento, é fundamental questionar se vale a pena continuar no mesmo caminho”. Mário Sérgio Cortella.

By Roberto Monteiro

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